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Professora associada da Escola de Comunicação da UFRJ e documentarista. Integra o corpo permanente do PPGCOM da UFRJ, com pesquisa sobre a fala filmada, o reemprego de imagens de arquivo no cinema e as imagens da história no cinema de montagem. Possui graduação em Comunicação Social/Jornalismo pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Belo Horizonte (1981), mestrado e doutorado em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Université Paris III - Sorbonne-Nouvelle (1993-1997). Em 2015, realizou pós-doutorado na Paris III, sobre os arquivos da história no cinema. Foi redatora e editora em várias televisões brasileiras e corrrespondente do serviço brasileiro da rádio BBC em Paris. Coordenou a pesquisa do Laboratório de Vídeo Educativo do Nutes-UFRJ de 1999 a 2003, como professora adjunta. De 2003 a 2009, foi maître de conférences e coordenadora do master profissional "Réalisation de documentaires et valorisation des archives" da Université Michel de Montaigne-Bordeaux 3. Entre 2010 e 2012, coordenou a habilitação "Rádio e TV" da ECO-UFRJ. Publicou o livro Le personnage mythique au cinéma (Presses du Septentrion, Lille, 2001), além de vários artigos sobre estética do cinema e imagens de arquivo no cinema. Realiza documentários e videoinstalações. Recebeu o Prêmio do juri oficial do CachoeiraDoc 2015 e o Prêmio Arco-Íris do Festival del Cinema Latino-Americano de Trieste pelo filme Retratos de identificação (2014).
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Montagens da história: estética do documentário e valorização dos arquivos no espaço contemporâneo
Descrição O objeto de estudo desse projeto é a ligação, construída pela montagem, entre as imagens do passado. Numa abordagem interdisciplinar do documentário histórico, esse projeto avalia o alcance testemunhal das imagens do passado e aprofunda o debate teórico sobre a montagem cinematográfica, propondo diferentes estratégias de valorização dos arquivos no espaço contemporâneo. A pesquisa é o desdobramento de uma investigação estética e histórica iniciada em 2010, junto ao Programa de pós-graduação da ECO/UFRJ, em parceria com o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ) e apoio do CNPq (projeto "Palavra, arquivo e memória", Edital Universal 2010). O trabalho resultou, inicialmente, na realização do documentário Retratos de Identificação (Anita Leandro, 2014), primeiro filme brasileiro sobre os documentos fotográficos e textuais produzidos pelas polícias políticas durante a ditadura militar. Em diálogo com o documentário contemporâneo, o processo de realização desse filme havia funcionado como um laboratório de experimentação estética de registro do testemunho e de montagem de imagens fixas e desprovidas de som, como são as fotografias e os documentos textuais. O projeto deu origem a diferentes publicações em torno da montagem de arquivos no cinema e, no final de 2013, um termo de cooperação firmado entre a UFRJ e o Ministério da Justiça (Comissão de Anistia/Projeto Marcas da memória) permitiu uma intervenção mais efetiva do projeto nas políticas de valorização dos arquivos. A pesquisa teórica e de desenvolvimento tecnológico é, agora, acrescida de atividades de extensão e o filme Retratos de Identificação. O termo de cooperação interinstitucional vai permitir também a montagem de uma exposição-instalação (Arquivos da ditadura, de 05/08 a 21/09 de 2014, CCJF), que deu visibilidade, fora do circuito acadêmico, ao importante acervo do DOPS da Guanabara, sob a guarda do APERJ. A partir de 2014, a pesquisa de campo estendeu-se aos arquivos do Superior Tribunal Militar, em Brasília, e aos arquivos nacionais, trazendo à tona uma importante documentação, até então, desconhecida. Em sua dimensão teórica, o projeto aprofunda a reflexão sobre o alcance historiográfico da montagem cinematográfica, propondo novas abordagens da imagem de arquivo e novos métodos de organização da fala das testemunhas. No filme Retratos de Identificação, dois sobreviventes da resistência à ditadura são confrontados a uma série de documentos fotográficos e textuais sobre suas respectivas prisões. Cópias de retratos de identificação e de prontuários foram levados para o set de filmagens e analisados por eles, permitindo um diálogo entre o passado e o presente, entre os documentos da história e o testemunho vivo, numa montagem direta e antecipada dos arquivos e da fala, que se substitui à forma clássica de entrevista. No lugar da conversa entre entrevistador e entrevistado, obtivemos uma relação direta entre a pessoa filmada e os vestígios materiais da história. É o material de arquivo que conduz a fala, e não o entrevistador que, no caso, limitou-se a entregar os documentos aos entrevistados, na ordem cronológica dos acontecimentos. |
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